Eu queria que esse natal fosse diferente de todos os outros, mas igual a um em especial que puff. Passou. Porque há luzes e sorrisos em todos os lados, mas só penso em você, no seu aniversário, no ano em que você disse que ao menos em uma data especial gostaria de estar comigo. Mas passa. Tudo. Época legal essa, você dizia. De as pessoas serem simpáticas, quererem melhorar. Eu quero. Por isso – juro – é a última carta. Uma tentativa desesperada, nada de mais se formos pensar nas caixas (de correio, de e-mail, torácica) lotadas.
Ensaiei despedidas, mas sabe como é: natal mexe com os canais lacrimais, só por ser. E sendo, ano após ano, lava. Ainda mais sem você aqui. Ano após ano. Lava. Uma última carta, por hora. Não prometo melhoras – você sabe como são os vícios. E crise de abstinência combina perfeitamente como rabanadas e peru. E com presentes que não são aquele CD que curtimos juntos, ou o livro que tem tudo a ver com a gente. Não prometo melhoras, mas tento. E tentar não é tudo que faço? Desde que você se foi. Ano após ano, tentativas frustradas de me acabar, preencher de lama, nada, sei lá. Sinto saudades. Mais no natal, e nessas quaisquer épocas especiais.
Às vezes me distraio com as luzes. Tantas cores. Esqueço-me que dói – são segundos. Parece que é o suficiente para você apagar a memória de mim. De presente, então, mais uma vez eu me dou – de um jeito que não deveria. Faço-me presente sem os fragmentos vagos do orgulho que um dia foi tudo. Sinto-me nada. Um tapetinho, uma outra coisa.
De qualquer modo, me liga em outubro. Espero sempre, com a paciência de um monge tibetano que nem sequer comemora o natal. Mas me encerro; me canso nesses fins de anos e de fases banais da vida. Estes momentos vazios e eternos. Repito-me, sei. Só que agora é como um tchau. É como se um círculo fosse se fechando no final do desenho animado. Eu diria uma comédia trágica, se não fosse tão lugar comum. That’s all, folks.
ps. Um presente para mim: eu queria que você também sentisse.

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