Ainda falo da saudade
maio 4, 2009
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Todas as quartas e quintas-feiras
abril 30, 2009
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Sobre a chegada do frio
abril 23, 2009
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Deve haver um porto
abril 15, 2009
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Prometes guardar segredo? Ando com vontades loucas de sumir. Goodbye, au revoir, arrivederci. E quando falo em desaparecimento, refiro-me a mais do que deletar o perfil do orkut e o twitter. Mais até do que morrer.
É aquela velha história: o ar na redoma de vidro sufoca.
Já estou imaginando o teu riso ao ler tudo isso de novo. Sempre as mesmas reclamações. Eu sei que deveria pagar um terapeuta. Sei também que não terei respostas – nunca as tenho. Sumiste tão bem sumido que eu não faço idéia do lugar aonde foste parar. E é tudo tão pra sempre…
Eu só queria saber se encontraste aquela paz, aquele poder respirar fundo e com toda a calma do universo. Está tudo aí? Ou está tudo na minha cabeça confusa?
Eu penso que deve haver algum lugar assim, etéreo, onde a redoma desaparece para sempre. Se não houver, qual o sentido, então?
Sim, deve haver um porto.
Escrito nas estrelas
abril 13, 2009
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Ele também vestia preto quando se foi. Ela até acompanhou suas costas largas, se distanciando, ficando cada vez menor. Sobrou apenas uma mancha escura no final do longo corredor daquela estação de trem. Depois desapareceu. Mal teve tempo para dizer adeus e, de repente, estas músicas e estes escritos, tão tristes, insistiam em pressioná-la. Era preciso escrever uma carta – a última, talvez.
Ele precisava ter consciência de que a reencontraria – quer quisesse, quer não. Estava no seu mapa astral – impossível desviar. Tinha que avisá-lo que não adiantava fugir do tempo e das memórias. Não, baby, não era mais uma loucura qualquer. Tentou fazer parecer um comunicado, mas eram tão opostas as direções dos dois que tudo soou como súplica.
Por fim, restou apenas a promessa de que o esperaria. O mundo é redondo, afinal. Ele costumava dizer que amor verdadeiro é suicídio, mas Vênus entrará em libra em setembro. Isto significa mudanças para ele: certamente passará a pensar e agir diferente. Ainda mais considerando que outubro é o mês dela. Está no seu horóscopo: sorte no amor; vista rosa. Desta vez vestirá.
Uma linha reta
abril 8, 2009
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aquele gosto de morangos mofando,
verde doentio guardado no fundo escuro
de alguma gaveta”.
(Caio Fernando Abreu)
A chamava de angústia, porque não conhecia seu nome. A velha angst. Cruzou com ela num café, desses baratos mesmo. O jornal molhado debaixo do braço, a barba de uma semana e o triste reflexo no vidro espelhado da vitrine. Aliás, em vários momentos chegou à conclusão de que a encontrava sempre que olhava para si. Uma parasita qualquer coexistindo nele.
É lógico que era uma garota. Concreta, palpável, fodível. Impossível, obviamente. No fundo não sabia se a esperava ou recordava. A única coisa que conhecia era o vazio. A velha angst. Por isso mesmo estava ali, debruçado na janela daquele apartamento tão alto, cercado de amigos tão estranhos. Ela não estava dentro da sala de estar, fedendo mofo. Estaria na calçada, lá embaixo? Uma das formigas solitárias.
Precisava descer rápido, observar de perto as formigas. Ouviu falar que o caminho mais curto entre dois pontos é uma linha reta. Mas ele não era desse tipo. Se o fosse, já o teria feito. Apenas olhava, não?
Enquanto a covardia e a preguiça dançavam lento, seus músculos começaram a se mover. Apenas um braço, uma mão e nada mais. Era preciso levar o drink até os lábios – lavar da boca aquele gosto de morangos mofando, verde doentio guardado no fundo escuro de alguma gaveta.
abril 6, 2009
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