enlouquecer é um processo lento

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“Detestei-o a partir do exato momento em que passei pela porta.

Tinha imaginado que seria um homem gentil, feio, sensível, que olharia para mim e diria “Olá!” bem animado, como se pudesse enxergar alguma coisa que eu não conseguia e então eu encontraria as palavras certas para contar meu pavor, como se estivesse sendo socada cada vez mais fundo num saco escuro e abafado, sem saída.

Depois ele recostaria em sua cadeira e juntaria a ponta dos dedos formando uma capelinha com as mãos e explicaria por que eu não conseguia dormir, por que não conseguia ler, por que não conseguia comer e por que tudo o que as pessoas faziam parecia tão inútil, já que no fim acabavam morrendo.

Eu achava que, a seguir, ele me ajudaria a voltar a ser eu mesma.”

(A Redoma de Vidro)

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“às vezes não compreendo como um outro possa amá-la, ouse amá-la, pois só eu a amo tão profundamente, tão completamente, e nada mais conheço, nada mais sei, nada mais tenho, senão ela.”
(dos sofrimentos do jovem werther)

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