“Detestei-o a partir do exato momento em que passei pela porta.
Tinha imaginado que seria um homem gentil, feio, sensível, que olharia para mim e diria “Olá!” bem animado, como se pudesse enxergar alguma coisa que eu não conseguia e então eu encontraria as palavras certas para contar meu pavor, como se estivesse sendo socada cada vez mais fundo num saco escuro e abafado, sem saída.
Depois ele recostaria em sua cadeira e juntaria a ponta dos dedos formando uma capelinha com as mãos e explicaria por que eu não conseguia dormir, por que não conseguia ler, por que não conseguia comer e por que tudo o que as pessoas faziam parecia tão inútil, já que no fim acabavam morrendo.
Eu achava que, a seguir, ele me ajudaria a voltar a ser eu mesma.”
(A Redoma de Vidro)
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