Hoje eu decidi ter fé. Deixar que as coisas aconteçam no tempo devido e permitir que um poder superior decida por mim. Escolhi pensar que tudo tem a sua hora e que, cedo ou tarde, vai dar certo: o emprego, o sonho, eu e você. E se não for, então será porque não era para ser. E não era para haver esse abismo entre a gente, mas a gente não tem escolha. E a gente vive essas horas corridas procrastinando uma decisão que não é nossa. Nunca foi. É por isso que hoje eu decidi ter fé e esperar o melhor, apesar de toda essa distância, todo esse deserto, esse silêncio que se espalha ligeiro sob a superfície dos meus dias sem você. O fato é que não dá para se ter sempre o se que quer. Mas se você tentar, às vezes você percebe que tem exatamente o que precisa.
You can’t always get what you want
abril 5, 2012
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E ponto
outubro 29, 2010
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A muito custo convenci as gavetas: já não é nada esse tempo da ausência dele. Superei à exaustão as incorrespondências. A vizinha, que acompanhou tudo da janela, diz que é culpa da distância, por aqui ele te amaria. Descreio, mas finjo não importar. A verdade é que a saudade dele já não me traz nada novo. Adiei essa faxina mental porque, pensei, reviveria a dor. Mas insisto: não foi nada. Nada como a vez em que decidi que ele deveria morrer ou quando, pior, quis eu mesma dormir demais. Não pensei em implorar que ele voltasse. Não o quero. E nem o vazio costumeiro deu sinal, comum aos fins de tarde com brisa de quando eu decidia, imperativa, que não havia motivos. Nem amor, entre ele e eu, havia. Quanta dor pode caber em sete anos? Já nem me lembro, sério.
Ao lixo com estes fragmentos do que não fui.
outubro 28, 2010
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É mais claro agora que as janelas são maiores. Já não ensaio aos deuses um desperdício de tempo, de dor. São mais longas as horas agora que o dia acostumou dormir tarde. E não sinto medo do encontro, irremediável encontro com a clarividência e o tempo. É mais perto agora que as vontades aprenderam ser sutis. Pode vir; aliás, venham todos! E seja o que eu quiser.
agora sim
setembro 30, 2010
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Patético o quanto precisei pensar para chegar à conclusão óbvia de que é você o amor da minha vida. A gente é arredia, evita acreditar que o mais fácil é o melhor. Até porque quase nunca o é. Mas é. Não há nada lá fora, no antes ou depois, que me ofereça barganha melhor do que o ter pra mim. Cogitei hipóteses, considerei possibilidades aterradoras, enfrentei a fúria dos deuses e as crises hormonais. Tudo me levou à conclusão óbvia de que é você. E é óbvio que não há nada lá fora.
Dizem que eu não devia mais querer você
agosto 5, 2010
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Quando eu repeti mentalmente cada uma destas histórias curtas da felicidade pela milionésima segunda vez me dei conta de que não eram sobre mim. De que maneira seriam? Mesmo contando as horas perdidas na sala vip, tevê ligada na globo news, internet sem fio, sem volta, eternamente à espera. Não tinha como. Ainda hoje, cada sorriso é tão cuspido e esganado que o conceito de felicidade faz deboche. Lembrei das irmãs carmelitas e quis voltar no tempo – o bastante para a clausura, não perseguir seus rastros, voto de silêncio, não agarrar sua lembrança aos berros, poupar a goela, ter alguém que me faça o supermercado, preencher o tédio com as orações matinais e vespertinas e noturnas e da madrugada. E quando o cansaço se impusesse, dia cheio, afazeres, louvor, não haveria mão que sustentasse a mais leve pena. E seria, por Deus!, seria o fim do amor (que tive). Mas eu te quero tanto
que dói.
dezembro 1, 2009
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Levo tudo ao extremo e me juro: de hoje esse azedume no hálito carne não passa; ponho um fim com cereja no topo. Mas o Martini fica azedo e continuo com essa vida sem azeitona nem palito. Só medo de que você não volte nunca. E eu juro que sei que nunca. Em dias assim, sem alhos nem caralhos, levo tudo ao extremo: essa dor aguda de saudade afiada, drogada, vermelha. E me juro: ponho um fim.
junho 4, 2009
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