Joca voltou a fumar. Não passam das oito, mas ela já chegou – cara lavada, cabelos molhados, roupas limpas e a catinga insuportável de cigarro com café e bala de hortelã. Serena, cumprimenta a todos com um sorriso leve, fala baixo. Está devidamente medicada, claro. Nada parecido com as vezes em que, usando apenas sutiã e saia surrada, atacava os jovens rapazes na Praça das Figueiras; ou buscava nas moças uma confidente que se comovesse com seus segredos mais terríveis, das épocas em que apanhava do marido e dos filhos por não ter as idéias muito bem colocadas no lugar. Mas tudo isso passou. Joca hoje desfila com o neto, que também fala baixo e está sempre com o rosto e as roupas limpas. O menino olha para a avó com o respeito próprio da relação de parentesco e isso motiva Joca a tomar as pílulas de todo dia e se vestir e trabalhar. Dos outros tempos, não tão distantes, ela guarda a lascívia – agora tímida –, percebida nos abraços demorados que oferece aos amigos homens. Sempre serena, como que em câmera lenta.
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