Febre, dor muscular, náuseas e saudades de você. A verdade é que há tempos perdi a habilidade de distinguir o que é falta sua e o que é mera vontade de vomitar, intoxicação alimentar, gravidez e tal. Nada que um chá, um livro e uma cama não resolvam. Alguma distração sempre me cura desse mal que não o ter nas minhas vistas me faz e eu nunca preciso de você. Mas se eu estiver mesmo às beiras do abismo da morte, então volta, então vem. Porque eu finjo que não preciso, mas meu corpo grita.
a cura
março 13, 2012
Sem-categoria As cartas que eu não mando, Dos dias de cansaço, volta Deixe um comentário
Se você vê-lo, diga oi
julho 6, 2011
Sem-categoria As cartas que eu não mando, Dos dias de cansaço, volta Deixe um comentário
De que matéria é feita a ausência? Que tipo de gás rarefeito ocupa os espaços vazios que se criam entre os corpos distantes? Como numa das salas de estar de Auschwitz, a respiração se faz mais pesada, a vontade mais densa, o desejo mais incontido. De que matéria é feita a saudade? Os minutos são eternos e nem é possível saber o que se quer, quando o cansaço se impõe – onipresente e onipotente – sobre nós, que não nos vemos. Ausência é feita de capa preta a cobrir os rostos; é sutil algoz: mata aos poucos a veleidade do amor ainda jovem.
Percebes que sinto tua falta?
Dizem que eu não devia mais querer você
agosto 5, 2010
Sem-categoria As cartas que eu não mando, Dos dias de cansaço, dos dias de lucidez, volta 1 Comentário
Quando eu repeti mentalmente cada uma destas histórias curtas da felicidade pela milionésima segunda vez me dei conta de que não eram sobre mim. De que maneira seriam? Mesmo contando as horas perdidas na sala vip, tevê ligada na globo news, internet sem fio, sem volta, eternamente à espera. Não tinha como. Ainda hoje, cada sorriso é tão cuspido e esganado que o conceito de felicidade faz deboche. Lembrei das irmãs carmelitas e quis voltar no tempo – o bastante para a clausura, não perseguir seus rastros, voto de silêncio, não agarrar sua lembrança aos berros, poupar a goela, ter alguém que me faça o supermercado, preencher o tédio com as orações matinais e vespertinas e noturnas e da madrugada. E quando o cansaço se impusesse, dia cheio, afazeres, louvor, não haveria mão que sustentasse a mais leve pena. E seria, por Deus!, seria o fim do amor (que tive). Mas eu te quero tanto
que dói.
diálogo
maio 28, 2010
Sem-categoria poesia, volta 1 Comentário
- eu fujo
das coisas.
você não.
- eu não.
- eu sim.
- eu sei.
- às vezes
acho que até
literalmente,
quando vejo
onde vim
parar.
- eu sei.
novembro 30, 2009
Sem-categoria dos dias de silêncio, volta Deixe um comentário
Não é justo, porque fui eu quem te deixou palavras escondidas no bolso do casaco pela primeira vez – há tanto tempo encontrado. (Eu sempre acho que vou morrer; e posso mesmo, em dias assim). Não é certo, porque sou eu que espero, antes de fechar os olhos, que o dia seguinte seja diferente – que haja misticismo, magia, surpresa, você. E nunca há. (Eu sempre acho que vou morrer; e posso mesmo, em dias assim). Por isso, não é apropriado que eu te siga em todos os cantos e quinas e muros e olhos bocas cabelos coisas. É doentio. (Eu sempre acho que vou morrer; e posso mesmo em dias assim). Não é correto que eu passe o resto destes dias amargos pagando pelo pecado de ser jovem burra insegura. Não é justo, porque a gente cresce. E cresço tanto que envelheço e morro. (Eu sempre acho que vou morrer;
e posso mesmo).
Será que você sente uma saudade culpa?
um estar lá
novembro 3, 2009
Sem-categoria volta Deixe um comentário
Ontem eu cansei. Foi tão de repente, amor. Cansei, só assim. Daí me veio uma ideia de que você também é cansável. Cansado. E daí me veio uma esperança infantil de que não é desamor. É só cansaço. Umas férias do sentir, nada de mais. Not a big deal. Faz sentido, não? Daí eu pensei que depois de uma tigela de açaí com guaraná, uma boa noite de sono e um novo alguém, só por costume, você pode me ligar. E pode mesmo ser a qualquer hora, porque ontem eu cansei, mas eu me canso e me descanso rápido assim. Um estalar.
talvez
outubro 28, 2009
Sem-categoria volta Deixe um comentário
O pó de arroz de minha avó cheirava doce. Era um desses cheiros doces que a gente diz que é de flor, mas não pode ser porque flor de verdade cheira azeda. Hoje eu me lembrei de você. A saudade ficou concreta como o travesseiro que agarro quando acordo sozinha. Como um balão que carrego comigo todos os dias de vida e de chuva depois que você não veio. Não diga, está bem? Não diga nada que piore tudo em mim. Não diga que não. Nem diga que.
há algo no mundo que pode, talvez, quem sabe…
setembro 8, 2009
Sem-categoria volta Deixe um comentário
no descer da serra, fecho a boca e amarro as mãos. a algema com pelúcia rosa é menos que fantasia: uma certa contenção. segura firme a vontade. engulo sem água, com areia e sem cuspe as palavras que quero dizer. coisas que quero pedir. algo como vem. não posso. não devo. a escolha sempre foi só sua: a mim cabe esperar. e espero – mesmo duvidando de que você realmente exista. me prova?
maio 22, 2009
Sem-categoria As cartas que eu não mando, volta 3 Comentários
Comentários recentes