Diário de bordo

No ano passado eu me pós-graduei mestra

Com apenas 24 anos de idade

– Parabéns!

– Sucesso!

– E o doutorado?

No ano passado eu passei no meu primeiro concurso

para docente;

Professora universitária aos 25.

– Estava na hora!

– E paga bem?

No ano passado eu me apaixonei

Talvez pela primeira vez.

– Por uma mulher, que rebeldia!

– Quatorze anos mais velha, que ousadia!

Revelei-me publicamente

Diante do peru de natal de familiares

E amigos

Para quem não olho

Cuja voz não escuto

De quem eu não sei.

 

Ligaram para minha mãe:

– É verdade?

– Que história é essa?

– Enlouqueceu?

– É fase.

– É charme.

– É medo.

Meus inquisidores não acessaram

Tão profundamente

O seu espectro de emoções acaloradas

Quando me diplomei;

O telefone de minha mãe não tocou;

Nenhum ex-amor veio dizer-me

Que sou incapaz de ficar sem estudar

E que emendo um curso atrás do outro

Compulsivamente

Numa relação promíscua com livros

E áreas do conhecimento.

 

É que nada disso importa.

 

O que importa é preservar a dignidade

Do peru do cidadão de bem.

 

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